Monday, May 20, 2013

Meias verdades ou Verdades incompletas

Estava aqui pensando com meus botões e cheguei à conclusão de que eu realmente odeio quando não me falam a verdade. Eu compreendo e estou preparado para compreender muitas coisas (outras nem tanto). Eu sempre espero falhas, erros, deslizes e até mesmo uma quebra de confiança, tenho a firme convicção de que ninguém é perfeito e de que as pessoas têm suas limitações. Nós seres humanos somos assim.

E agimos muitas vezes de acordo com nossas virtudes e outras tantas de acordo com nossas limitações. Nós somos assim, acertamos e erramos várias vezes em um dia. Tomamos decisões, que uma hora ou outras afetam outras pessoas que convivem ou querem conviver conosco. É este fato (a maldita convivência) que gera a necessidade de uma explicação, uma exposição de motivos, uma justificativa plausível e sincera... Aí a pessoa vai e não fala a verdade nua e crua.

Não vou falar aqui em mentiras, pois na maioria das vezes o que se faz é omitir as verdadeiras razões para determinado comportamento e expor verdades secundárias... Vou dizer que isto me basta e que acredito. Pois repito, cada um tem suas limitações e se a pessoa não quer falar a real, é um direito que ela tem, mas que eu fico chateado com isso eu fico. É um direito meu.

Alfredo, o Barbeiro.


Fui levar JM pra cortar o cabelo e enquanto ele estava lá dando aquele trabalho pro barbeiro (o burocrático Figueiredo, diria ZéNeto) e tendo seu cabelo cortado do jeito que ele gosta, me lembrei dos meus tempos de criança. Sim! Senhoras e Senhores, um dia eu também fui criança.

Definitivamente não era a mesma coisa. A única coincidência é que eu também ia com meu pai, porém sem reclamar uma virgula sequer, sem a opção de escolha do meu corte de cabelo e sem dar trabalho algum na hora em que o Seu Alfredo, esse era o nome do nosso simpático barbeiro, começava a trabalhar... Na verdade eu entrava mudo e saia calado da casa dele. Sim, não era um comércio, o Seu Alfredo trabalhava em sua própria casa.

No dia de cortar o cabelo eu e meu pai saíamos cedo de casa e, andando, cruzávamos sobradinho até a quadra 2, onde morava Seu Alfredo. Apesar de nunca escolher como meu cabelo seria cortado e de todos os sentimentos reprimidos que a atividade (na verdade a minha existência) envolvia eu até que gostava. O velhinho era muito simpático e atencioso e eu adorava ouvir as conversas dele com meu pai. Talvez porque o velho não era muito de conversar em casa, passava sempre uma ideia de ser mal humorado, uma figura opressora .
Hoje entendo que a pessoa com cinco filhos pra criar e pouca renda tende a alardear, naturalmente, uma imagem carrancuda, só que naquele tempo não dava pra entender isso. Mas lá nas conversas com o Seu Alfredo era outra coisa. Eram momentos mais alegres, um homem bem humorado. E eu gostava disso.

Mas tinha um bônus: no caminho da volta tinha sempre a chance de rolar um lanche. Não era sempre, mas um gordinho nato sempre fica na expectativa. Chegando em casa, a vida voltava ao normal e o bom humor de papai se dissipava instantaneamente, até o dia em que os cabelos ficassem grandes novamente e chegasse a hora de ir na casa do Seu Alfredo. Que deve ter falecido, pois meu pai nunca mais voltou lá... Obviamente não fui informado, as visitas simplesmente cessaram.

Depois cresci e passei a escolher o barbeiro e o corte do meu cabelo, mas acho que se tivesse que ir novamente ao Seu Alfredo iria sem problemas.  Apenas uma exigência: nada daquele corte tipo recruta! Isso não! 

Thursday, January 10, 2013

Oi Sandy!!!


Sabe quando você diz, jura de pés juntos, que não vai fazer determinada coisa, que não vai mais cair naquela tentação, que não vai errar de novo? E, quando chega a hora da verdade suprema você simplesmente sucumbe? Simplesmente esquece todas as promessas feitas solenemente e erra, fazendo tudo que não queria e jurou não fazer.
Pois é, pensando nisso me lembrei, um dia desses, de um episódio, não sei se você, caro leitor, já viu, do Bob Esponja. Que é um desenho com ideias simples, e muita gente nem gosta tanto assim, mas e eu adoro.
Para vocês entenderem: é o dia do amigo e o melhor amigo do Bob Esponja é o Patrick, e os dois vão comemorar a data em um parque de diversões. Bob Esponja promete quer vai fazer uma surpresa dando o maior presente de todos os tempos para seu melhor amigo e isso gera em Patrick uma expectativa enorme: a toda hora ele pergunta pelo tal presente e o outro só fala que está pra chegar e que vai ser o máximo!!
Só que tem um problema, a pessoa (que na verdade é um esquilo) responsável pelo transporte do presente surpresa até o parque é a Sandy Bochecha. Mas as coisa não saem como o planejado e ela acaba tendo muitos problemas pra chegar na hora combinada. O atraso era enorme e enquanto Sandy lutava arduamente, Bob dava presentes maravilhosos para pessoas que ele nem conhecia, e ao ver estas cenas, Patrick deduzia que o seu tinha que ser o supra-sumo dos presentes, e isso deixava ele doido, querendo saber qual seria a grande surpresa.
Lá pras tantas, Sandy não chegava nunca, e Bob Esponja já não tinha mais o que fazer para ganhar tempo, o amigo já estava insano, pressionando-o de todas as maneiras pra saber o que iria ganhar dele e tinha que ser logo... Chegou uma hora que não teve mais jeito de continuar com aquela enrolação e ele partiu pro plano 'B': deu um bom aperto de mão em Patrick e disse que aquele era o grande presente surpresa. Rolou uma cara de mega-decepção mas a principio ele aceitou, ficou um tempão olhando pra mão e tentando avaliar se esse era realmente um grande presente.
Estava quase se conformando quando passa um peixe desconhecido pelos dois e o Bob Esponja, do nada, entrega um presente bem legal pro cara. Era a gota d'água: Patrick se revoltou e furioso partiu pra cima do amigo totalmente descontrolado, destruiu todos os brinquedos do parque de diversões e depois disso cercou num canto todos que lá estavam. Berrava que queria o presente, que aperto de mão não era presente. E ninguém conseguia acalmá-lo.
Nesse momento surge ao longe Sandy com o mega-master-plus-presente, mas Patrick estava de costas pra ela, mais precisamente ameaçando de morte Bob Espoja, que ao ver a grande surpresa chegando alertou: "olhe pra trás e você vai ver o seu presente!". Patrick deu com os ombros: "você quer me enganar e fugir enquanto eu olho pra trás? Pensa que eu vou cair nessa?". Logo, todos os reféns passaram a insistir para que ele olhasse para trás pra ver o presente. Ao que ele respondeu solenemente: "Não existe nada nem ninguém nesse mundo que me faça olhar pra trás!!!!".
Aí a Sandy, que já estava bem próxima deles, que nem sabia da confusão, chega e fala "Oi Patrick!". E, para surpresa geral, ele se vira pra ela, olhando para trás, e responde todo alegre: "Oi Sandy!!", como se não tivesse irado, como se não tivesse feito a promessa de não olhar pra trás. E acaba vendo o presente. Mas e a promessa???
Bem, só para contextualizar: um dia desses eu fui a uma pizzaria, meio a contra gosto, e na entrada jurei solenemente, para mim mesmo, que não iria de jeito nenhum comer pizza! Só ia acompanhar as pessoas que estavam comigo. Aí, rolaram os pedidos, e eu logicamente nem dei palpite, pois não iria comer nada, e depois de esperar alguns minutos me aparece o garçom com  a encomenda nas mãos me fazendo a seguinte pergunta: "Calabresa ou Portuguesa?". Queridos leitores, eu fiz igual ao Patrick, me esqueci de todas as promessas solenes e respondi: "Calabresa!".
É decepcionante, ultrajante, humilhante, mas pelo menos a pizza estava gostosa! E a gente aprende com os erros né... Na próxima vez eu juro que vou conseguir falar não! Mas até lá procuro evitar estes ambientes.

Thursday, December 13, 2012

Indiferença

Eis que na minha última passagem por São Paulo encontramos, eu e minha gloriosa irmã Christine, um cara vendendo uns CD's de MP3 com uma variedade interessante de ritmos, artistas e etc... Tava tão legal que arrisquei uns trocados e fiz alguns investimentos. Dentre eles, um CD com músicas do Capital Inicial, banda que amo de paixão, das mais antigas vindas dos anos 80 até o acústico deles em 2000 e alguma coisa.
Daí que estou reencontrando algumas músicas que não escutava há tempos e redescobrindo épocas remotas da minha vida... 
Doresley sempre diz que as primeiras palavras das primeiras estrofes das músicas do Capital são sempre devastadoras, então vou destacar aqui as primeira linhas dessas músicas que eu tanto gosto e que tão pouca gente conhece:

A primeira é "Tudo Mal", que pra mim tinha que chamar Indiferença:
"Não pense que eu me importei, por isso mesmo eu deixei acabar com tudo de uma vez, pois entre nós só havia indiferença"

Tem também "Porque nós não ficamos juntos?"
"Você tem ódio nos seus olhos e arrogância em todas as palavras. Eu não pretendo julgar você, eu não me sinto no direito. Eu faço o que quero, mas eu nunca machuquei ninguém com tolas palavras (com tolas palavras!)"

Outra muito boa é "Descendo o rio Nilo". O título é meio surreal, mas isso é um mero detalhe:
"A Europa está um tédio, vamos transar com estilo. Nós só temos um remédio, descendo o Rio Nilo..." O glorioso refrão: "Amor de crocodilo, descendo o Rio Nilo!.."  Aí, pra arrematar bem a música vem: "Estamos ouvindo tambores, tremores vindos da África. Canibais passando fome, cadê o Dr. Livingstone??". Epa! Mas não eram somente as primeiras palavras das primeiras estrofes??

E ainda não acabou!!! Tem mais algumas... "Prova" é um delas. Amo demais!!!
"Vejo seu retrato, apenas uma imagem, a sombra de alguém. Viva porque vivo, vivo nos seus sonhos, lento pra te alcançar, louco pra te amar. Setas indicando caminhos errados, chegar só é possível de olhos fechados".

"Vem bater no meu tambor" é um clássico do cancioneiro nada popular:
"Quando a rotina vence e os tolos ditam regras, sinceramente eu penso em homicídio, qualquer coisa diferente, ser menos complacente. Você diz preciso ter esperança, mas como esperar se não há sangue não há chama..." "Vem bater no meu tambor, chega de falar de amor." Realmente tambor rima com amor!

Que beleza!!! Acho até que vou ter que encerrar meu post por aqui pois ainda tem muitas músicas pra colocar e as coisas estão ficando intermináveis. E o post tem que acabar.







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Wednesday, June 27, 2012

So Close

Os deuses e adoradores do rock que me perdoem (até mesmo porque uma pessoa que foi criada escutando rádio AM a vida toda tem dificuldades para ser fiel a um só ritmo), mas esta música é tão legal! Feel so close é o nome dela e quem canta é Calvin Harris:

Feel So Close

I feel so close to you right now
It's a force field
I wear my heart upon my sleeve, like a big deal
Your love pours down on mean, surrounds me like
A waterfall
And there's no stopping us right now
I feel so close to you right now

I feel so close to you right now
It's a force field
I wear my heart upon my sleeve, like a big deal
Your love pours down on mean, surrounds me like
A waterfall
And there's no stopping us right now
I feel so close to you right now

And there's no stopping us right now
And there's no stopping us right now
And there's no stopping us right now
I feel so close to you right now...


Nada muito profundo, mas tem esse lance de você escutar uma música e outra pessoa que está longe também... E isso aproxima, conecta, as pessoas. Isso é legal, isso é música! Isso é ser humano...

Pra quem quiser ver o vídeo e curtir esta animada canção, clique aqui.

And there's no stopping us right now!

Saturday, June 23, 2012

Um velho amigo, ou uma antiga obcessão.


Olhem só o que encontrei em Manaus! Isso mesmo caros leitores: Guaraná Baré! Que saudades! Desde os bons tempos, em que eu e minhas irmãs vendíamos as panelas velhas da minha mãe pro ferro velho para gerar uma renda pra comprar baré, que não via nem bebia. Achava eu que nem existia mais.
O que estranho é que a Antartica é a fabricante, mas todo mundo sabe que o negócio da ambev é o guaraná antartica né? Pois é, eles estão usando do mesmo expediente que a coca-cola usa: se não consegue vencer uma marca regional, compra.
Mas não vou deixar estas questões comerciais influenciarem meu re-encontro. Estou planejando comprar umas latinhas e levar pra casa pra tomar com meu amor, com meus amores, corrigindo.

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Monday, January 02, 2012

Chegamos ao fim...

Bem, eu realmente não ando lá muito inspirado para escrever. É o eterno papel em branco (a tela do computador), a caneta na mão (o teclado do computador) e a falta de idéias (essa não precisa de nenhuma denominação, é simplesmente isso). Até que rolam umas idéias, mas neste exato momento não.
Então neste meu primeiro post de 2012 vou apenas colar a letra de uma música dos Engenheiros do Hawaii aqui. Coisa de velho? Não sei, pode ser... Quem liga? Na verdade não sei exatamente por qual razão me peguei pensando e cantarolando músicas dos caras bem antigas. Mais especificamente do segundo disco deles: A Revolta dos Dândis.

A primeira que despontou na minha mente alucinada foi Filmes de Guerra, Canções de Amor.

"os dias parecem séculos 

quando a gente anda em círculos
seguindo ideais ridículos
de querer, lutar & poder
as roupas na lavanderia...
o analista passeando na Europa...
as encomendas na Bolívia...
nas fotos um sorriso idiota
os dias parecem séculos
e se parecem uns com os outros
como enfermeiras em filmes de guerra
e violinos em canções de amor
a seguir cenas obcenas
do próximo capítulo
é só virar a página
e o futuro virá...
filmes de guerra, canções de amor
manchetes de jornal, ou seja lá o que for
há sempre uma estória infeliz
esperando uma atriz e um ator
há vida na terra, há rumores no ar
dizendo que tudo vai acabar
(mais uma estória infeliz
esperando um ator e uma atriz)
não tenho medo de perder a guerra
pois no fim da guerra todos perdem
no fim das contas as nações unidas
'tão sempre prontas pra desunião
não tenho medo de perder você
desde o início eu sabia
era só questão de dias
um dia iria acontecer
preciso beber qualquer coisa
não me lembre que eu não bebo
o que só nós dois sabemos
nós sabemos que é segredo
há um guarda em cada esquina
esperando o sinal
pra transformar um banho de piscina
numa batalha naval
agora sinto um medo infantil
mas na hora certa afundaremos o navio
então dê um copo de aguardente
para um corpo sentindo frio
preciso beber qualquer coisa
você sabe que eu preciso
e o que só nós dois sabemos
já não é mais segredo
se alguém, seja lá quem for
tiver que morrer, na guerra ou no amor,
não me peça pra entender
não me peça pra esquecer
não me peça para entender
não me peça pra escolher
entre o fio ciumento da navalha
e o frio de um campo de batalha
chegamos ao fim do dia
chegamos, quem diria?
ninguém é bastante lúcido
pra andar tão rápido
chegamos ao fim do século
voltamos enfim ao início
quando se anda em círculos
nunca se é bastante rápido"
Pra quem quiser escutar, é só clicar aqui.

Wednesday, December 21, 2011

Bonner, William Bonner

Eis que nossa família ganha mais um personagem (não! Não vem gente nova por aí): Estou falando de Bonner, um schnauzer gigante, filhote ainda, mas que venhamos e convenhamos, para uma criança já é bem grande, a ponto de conseguir derrubar JM nas suas brincadeiras. Tipo assim: pra ele é diversão, para JM é pânico e desespero... Coitado do meu filho, chega a ser engraçado ás vezes, mas é trágico.
Bem, vou confessar, também cheguei ás raias do desespero num dia desses. Estava saindo de casa com uma sacola azul, que sempre levo meus lanches e outras coisas, á mão. E Bonner fica ensandecido quando vê a maldita sacolinha azul. Danou a pular em cima de mim e não tinha como segurá-lo pois estava com as duas mãos ocupadas, daí tentei apelar pra razão dando a tradicional ordem "Senta Bonner!!" enquanto tentava liberar uma mão sem maiores resultados. Mas, quis assim o destino, ao dar um passo pra me desviar dele pisei no chão molhado da garagem. Dei uma derrapada daquelas! Pra piorar, no movimento que fiz para me equilibrar a sacola balançou e ele veio pra cima todo animado achando que eu estava brincando. Queridos, quase fui ao solo por completo. Tive que me abaixar e apoiar as duas mãos no chão, com sacolinha e tudo. Por fim, uma das mãos já estava livre e conseguir parar a fera com ela. Me levantei morrendo de rir da situação e, pensando bem, meio que entendo agora o que JM passa. Realmente é desesperador. Mas existem possibilidades, já diria Renato Russo.
E pra quem ainda não conhece a raça, este vídeo é bem útil.